Na última semana, o presidente executivo da Abeetrans, Silvio Médici, concedeu entrevista ao site do Observatório Nacional de Segurança Viária, falando um pouco da instituição, os desafios para a nova Década de Ação pela Segurança no Trânsito, que começou esse ano, e da sinergia entre as entidades.
Há mais de quatro anos, a Abeetrans apoia o trabalho do Observatório, dentro do Programa Laço Amarelo e a entrevista foi enviada a todos os parceiros do Programa e também publicada em todos os canais de comunicação do Observatório.
Acompanhe a íntegra da conversa:

ABEETRANS TRABALHA TAMBÉM POR UM TRÂNSITO SEGURO

A Abeetrans (Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Trânsito), que hoje congrega quase 50 empresas nas áreas de engenharia, fiscalização, tecnologia e segurança viária, comemorou 20 anos em 2020. A prioridade da Abeetrans é assessorar, aprimorar e desenvolver o setor, incrementando continuamente os padrões de qualidade das associadas em benefício da coletividade.

Entidade parceria do OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária (ONSV), a Abeetrans é Entidade Laço Amarelo desde 2017 e trabalha incansavelmente para melhorar a cultura da segurança viária no Brasil.   O atual presidente executivo da Abeetrans, Silvio Médici, concedeu essa entrevista exclusiva ao nosso site, no último mês. Confira:

ONSV: Como a ABEETRANS vê o atual cenário do trânsito no Brasil, sendo que, a cada 17 minutos perdemos um brasileiro, vítima de um sinistro de trânsito?

Silvio: A Abeetrans vê com muita preocupação. Apesar da redução de acidentes que houve nos últimos anos, ainda temos algo em torno de 35 mil vitimais fatais e mais de 250 mil lesionados todos os anos, com custos de mais R$ 132.8 bilhões/ano Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) por conta desses acidentes. Quem paga essa conta é toda sociedade brasileira, isso não podemos nos esquecer nunca. As recentes mudanças realizadas no CTB (Código de Trânsito Brasileiro), propostas pelo Governo Federal e aprovadas no Congresso Nacional e também na regulamentação da utilização dos controles de velocidades preocupam muito os especialistas e estudiosos na área de segurança viária.

ONSV: Como a entidade avalia a evolução da segurança viária no País e, segundo o seu ponto de vista, quais os pontos imprescindíveis que precisão ser ainda trabalhados?

Silvio: Temos muito a trabalhar no sentido de melhorar a segurança viária. Os famosos 3 E’s, Educação, Engenharia e Esforço Legal (Fiscalização) estão muito desequilibrados. Veja: na educação temos poucas iniciativas e não temos um projeto de Governo que no nosso ponto de vista deveria inserir a matéria no currículo escolar. Na Engenharia temos mão de obra de alto nível e materiais de qualidade e no Esforço Legal atravessamos um momento de flexibilização que preocupa. Nós vamos avaliar os efeitos durante um período para uma manifestação.

ONSV: Com mais de 20 anos de atuação no mercado de engenharia de trânsito, qual a expectativa para essa nova década?

Silvio: Para essa Década vamos trabalhar no sentido do desenvolvimento de tecnologias, de mão de obra e gestão, com o objetivo de elevar o nível técnico das empresas, visando cumprir as metas da ONU (Organização das Nações Unidas) para a Segunda Década de Ação para a Segurança no Trânsito (2021-2030), decretada ano passado.

ONSV: A ABEETRANS entende que o Programa Laço Amarelo contribui com a conscientização para um trânsito mais seguro, por meio da comunicação com seu público alvo, por meio dos canais da entidade?

Silvio: O Programa Laço Amarelo é o programa mais importante disponível no país para nos lembrar da importância da segurança viária. Ele está diariamente nas nossas mídias através dos materiais gerados pelo Programa, nas nossas assinaturas e impressos. São centenas de empresas, entidades civis e governamentais divulgando o conteúdo do Programa Laço Amarelo, mas é necessária uma abrangência ainda mais robusta para que todo brasileiro mude seus atuais hábitos no trânsito do dia a dia e a cultura da segurança viária se instale em definitivo no nosso país.