Debateram mobilidade Meli Malatesta, urbanista doutora em mobilidade ativa, Luiz Carlos Néspoli, superintendente da Associação Nacional do Transporte Público, e Silvio Médici, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Engenharia de Trânsito.

CLIQUE AQUI PARA OUVIR A ENTREVISTA

 

Silvio Médici cita a recomendação da Organização Mundial de Saúde para redução da velocidade e como a medida está sendo adotada nas grandes cidades. Segundo ele, Paris tem 600 quilômetros de vias com velocidade em torno de 30 km/h e Londres, 300 quilômetros a 32 km/h.

Meli Malatesta discorda do argumento da redução de acidentes provocada pelo menor número de carros nas ruas. ‘Se teve redução de volume de tráfego, a tendência é a velocidade aumentar e, se aumenta, sobe o número de acidentes’, disse. Ela cita o pedestre como a maior vítima do trânsito.

Luiz Carlos Néspoli afirma que a política de redução da velocidade é uma das mais eficazes na redução de acidentes, e está ao lado do uso do álcool como os maiores fatores de risco. Segundo ele, além de reduzir atropelamentos, a velocidade mais baixa impõe outro comportamento aos condutores. ‘Todo mundo se acomoda e passa a ter menos zigue-zagues e ultrapassagens’, afirma.

Segundo Néspoli, é muito estranho que um candidato ao poder público use a expressão indústria da multa, porque é dever do poder público fiscalizar. ‘Ele não pode dizer que não vai fazer um de seus deveres em nome de uma vontade popular’.

Para Médici, não há a necessidade de uma campanha educativa antes de reduzir a velocidade. ‘Todo motorista sabe as regras e passa por um processo de aprendizagem’. Ele cita uma pesquisa do Ibope em que 80% dos moradores de oito capitais aprovam o sistema de radares. ‘A fiscalização não tem que avisar onde está. É dever do Estado proteger o cidadão, temos que preservar vidas e não ficar discutindo se há indústria da multa ou não’. Segundo números do DPVAT, 42 mil pessoas morreram e 500 mil se feriram em acidentes de trânsito no Brasil no ano passado. ‘Isso é mais que a guerra da Síria. Isso é que os candidatos deveriam estar discutindo. É impacto direto na economia e saúde pública’.

Fonte: CBN