No último domingo, a cidade de São Paulo deu um passo importante para a mudança de sua lógica de mobilidade urbana. A inauguração de ciclovia por toda a extensão da avenida Paulista (centro financeiro da maior cidade do país) representa não apenas uma simples adequação urbana, mas uma outra forma de se perceber a cidade e a sua ocupação pelas pessoas.

A construção de uma malha cicloviária na capital foi uma promessa de campanha do prefeito Fernando Haddad (PT) e faz parte de um conjunto de ações visando dar mais fluidez ao complicado trânsito paulistano e, principalmente, motivar o uso de outros modais de transporte, dentre eles, as bicicletas.

O Programa de Metas do governo petista contempla a ousada perspectiva de 150 quilômetros de novos corredores de ônibus, além de outros 150 quilômetros de faixas exclusivas, e 400 quilômetros de ciclovias, dos quais cerca de 60% já foram implantados, seja nas áreas centrais, seja nas periferias da cidade.

Paralelamente, ações como os bicicletários e programas como o BikeSampa, que oferecem bicicletas a baixo custo (ou a custo zero), vêm sendo fator de motivação para o uso de bicicletas.

Essas iniciativas, aliada ao bilhete único mensal e à melhoria na frota de ônibus, apontam para um novo e mais sustentável modelo de desenvolvimento urbano. Modelo mais humano e de valorização do transporte público e do não uso do carro. Um modelo que vem mudando a cultura do cidadão.

A inauguração da ciclovia da Avenida Paulista talvez tenha sido o momento mais emblemático de todo esse processo. Os milhares de pessoas nas ruas, com suas bicicletas, skates, longs e patins, ou mesmo a pé, com suas famílias, seus cachorros e com belos sorrisos no rosto, mostraram o quanto a população responde ao estímulo do direito à cidade.

A avenida mais importante do Brasil foi totalmente ocupada, como um grande parque em um dia de sol, e quem pôde fazer parte daquele momento (eu mesmo vim de Guarulhos até a Paulista pedalando) viu o quanto vivemos um novo momento social.

Durante décadas nós brasileiros priorizamos o carro e nos esquecemos das pessoas. Nossas cidades foram fatiadas por avenidas, viadutos, pontes, vias expressas e elevados, tirando cada vez mais o cidadão das ruas e transformando o espaço urbano em algo cinza, triste e inseguro. A retomada das ruas pelas pessoas é um processo fundamental para retomarmos, aos poucos, a cidade como um todo.

E é preciso seguir em frente. O modelo da gestão Haddad deve ser aprimorado e adaptado para outras grandes cidades. Os prefeitos, daqui pra frente, junto com seus secretários e técnicos, precisam se debruçar sobre mapas, plantas e livros, para adequarem seus municípios a essa nova realidade, trazendo mais saúde, qualidade de vida e, principalmente, as pessoas novamente para as ruas.